BRASIL — A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, a política externa deixou de ser assunto apenas de diplomatas e passou a ocupar espaço no debate eleitoral. A relação com os Estados Unidos de Donald Trump — marcada por tarifas, sanções e uma retórica mais agressiva para a América Latina — se misturou à disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), e levou a discussão sobre soberania e risco de interferência estrangeira para o centro da campanha.
O que já aconteceu — atos e documentos
28 de maio de 2026 — o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas, medida que passou a valer em 5 de junho. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O governo brasileiro reagiu classificando a decisão como interferência em assuntos internos e rejeitou a possibilidade de atuação militar estrangeira no combate ao crime organizado (G1, CNN Brasil, Metrópoles, Bloomberg Línea).
22 de setembro de 2026 — Lula abriu a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e criticou a interferência dos Estados Unidos na América Latina. O presidente defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e afirmou que o país não vai “terceirizar responsabilidade” sobre o tema, cobrando ação conjunta contra o fluxo de armas e de dinheiro que alimenta as facções (G1, BBC, ONU News, Poder360).
Também em 22 de setembro — no mesmo encontro, Donald Trump defendeu uma política de maior presença dos Estados Unidos no continente americano e afirmou que Washington pretende usar seu “poder militar incomparável” para defender interesses considerados vitais, apresentando o combate ao tráfico de drogas como uma das justificativas, segundo a repercussão feita pelo portal Augusto Urgente.
Fim de agosto de 2026 — um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições e uma “tendência de escalada de pressão” sobre o Brasil, segundo a Agência Brasil e a CNN Brasil.
Setembro de 2026 — documentos revelados durante as negociações do primeiro tarifaço americano contra produtos brasileiros mostraram que representantes dos Estados Unidos apresentaram uma minuta com exigências políticas, entre elas a previsão de que o Brasil realizasse eleições “livres e justas” e não impedisse a participação de “dissidentes políticos”. O documento não citava Jair Bolsonaro nominalmente (Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo).
O que NÃO está comprovado
Não há evidência pública de que os Estados Unidos preparem uma invasão militar do território brasileiro. O que existe, segundo o que foi divulgado até agora, é uma combinação de medidas econômicas, pressão diplomática, sanções e mudança de postura para a América Latina, acompanhada de retórica militar mais dura.
A distinção é importante: a palavra “invasão” passou a circular no debate político, mas o uso do termo não significa, por si só, a existência de um plano militar de ocupação do país. Até o momento, nenhuma autoridade americana ou brasileira apresentou documento público nesse sentido.
O que está em jogo na campanha
Com o tema da soberania dentro da disputa, os dois lados passaram a usar a relação com Washington como argumento eleitoral — o governo fala em defesa da soberania e da cooperação entre países; a oposição sustenta que a crítica à política americana isola o Brasil. O assunto deve voltar aos debates antes do primeiro turno.
Fonte: TV Sertão Livre, com informações da Agência Brasil, CNN Brasil, G1, BBC, ONU News, Poder360, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, Metrópoles, Bloomberg Línea e do portal Augusto Urgente. Montagem: Reprodução.



