Ourolândia, 16 de março de 2026 — A guerra lá longe, do outro lado do mundo, chegou silenciosa mas pesada ao bolso de quem depende do transporte coletivo aqui na nossa região. Moradores que fazem as linhas Lagoa–Ourolândia e Lagoa–Jacobina já sentiram, nesta semana, um aumento de cerca de 20% no valor das passagens. A justificativa dos motoristas é direta: o diesel, que custava em torno de R$ 6,00 o litro, passou para R$ 8,00 — e em alguns pontos de abastecimento chega a R$ 9,00.
O cenário não é isolado. Na primeira semana de março, o diesel S-10 subiu 7,7% nos postos do país, pressionando transportadoras e empresas de transporte coletivo em todo o Brasil. (Fonte ClimaInfo) Sindicatos de combustíveis em estados como Bahia, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Norte já relatavam aumentos de combustível da ordem de R$ 0,80 por litro no diesel. (Fonte A Gazeta)
A raiz do problema está a milhares de quilômetros daqui. A escalada da guerra no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz voltaram a pressionar o mercado internacional de petróleo, com o barril ultrapassando US$ 120 no mercado global. (fonte Fast Company Brasil) A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribuiu o aumento no preço do diesel diretamente à guerra no Oriente Médio, afirmando que o combustível vinha em trajetória de queda nos últimos anos antes do conflito. fonte: (fonte Agência Brasil)
O impacto chega até o interior da Bahia de forma multiplicada. O que na refinaria representa centavos, na ponta da cadeia — nos pequenos municípios, nas linhas intermunicipais, no transporte de quem não tem outra opção — vira reais a mais na passagem, no frete, na feira. O diesel corresponde a 35% do custo de frete das transportadoras, e mesmo sem reajuste oficial da Petrobras, o combustível aumentou em vários estados porque a estatal não é a única fornecedora do produto no país — muitas distribuidoras importam diretamente. (fonte: ClimaInfo)
O governo federal anunciou medidas para tentar conter o estrago. A suspensão de impostos federais como PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel representa um alívio de R$ 0,32 por litro, e sem essas medidas, o aumento precisaria ter sido de R$ 0,70, repassados integralmente às distribuidoras. (fonte: Agência Brasil) Mesmo assim, o repasse para o consumidor final continua acontecendo.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) encaminhou ofício ao Cade para investigar possíveis práticas anticoncorrenciais por parte de distribuidoras que estariam elevando preços além do justificável pelo mercado internacional. ( fonte: Agência Brasil)
Para o morador de Ourolândia que acorda cedo para pegar a van ou o ônibus em direção a Jacobina, esses números distantes pouco importam. O que importa é que a passagem ficou mais cara, o salário não aumentou, e a guerra — que muitos mal sabem localizar no mapa — já chegou à calçada de casa.
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